quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Condomínio cria regra da ficha limpa para síndicos e causa controvérsia entre especialistas

Publicada em 22/02/2011 às 12h00m
O Globo

RIO - Depois de o Supremo Tribunal Federal (STF) ter aprovado, em junho de 2010, a Lei da Ficha Limpa, que derruba a candidatura de políticos com condenação na Justiça, o condomínio Presidente, em Curitiba, decidiu introduzir o mesmo conceito em seu regulamento interno. O documento determina que seja proibida a candidatura a síndico ou a membro do conselho fiscal de pessoas que já administraram o condomínio e tiveram suas contas reprovadas em assembleia, ou que saíram sem prestar contas. A norma foi aprovada por unanimidade em assembleia geral extraordinária.

O edifício tem 117 apartamentos residenciais e um conjunto comercial, com seis lojas térreas. De acordo com o atual síndico, Cláudio Márcio, o regulamento interno foi criado depois de uma advogada, ex-síndica e proprietária de 35 apartamentos, ter se candidatado a síndica nas eleições de 2010, mesmo tendo acumulado três ações na justiça por irregularidades na prestação de contas do condomínio Presidente.

- Já que a Justiça tem se mostrado tão lenta e muitos corruptos se aproveitam disso para varrer para debaixo do tapete as irregularidades na administração, o condomínio criou uma norma moralizadora que será válida independentemente de quem for o síndico - explica o atual síndico do condomínio, Cláudio Márcio Araújo da Gama.

Pessoas condenadas em primeira instância em ações judiciais por fraudar o condomínio também estão incluídas. Além do conceito da ficha limpa, o regulamento prevê normas de convivência e punições mais efetivas contra infratores, preservando à defesa destes, seja em assembleia ou junto ao poder judiciário.

O vice-presidente do Sindicato de Habitação do Rio (Secovi Rio), Manoel Maia, incentiva a adoção da regra de ficha limpa para síndicos em outros condomínios e acrescenta a necessidade de se incluir a medida em convenção.

- Para aprovação de regulamento interno, não é necessário haver um quórum especial. Basta a maioria dos presentes à assembleia. Sou favorável ao regulamento por ser uma maneira de se criar um passaporte de seriedade do síndico. Mas acho que isso deveria ser incluído na convenção, pois é a lei maior do condomínio e que deve ser aprovada por dois terços dos condôminos - explica o vice-presidente do sindicato.

Já o presidente da Associação Brasileira de Administradores de Imóveis (Abadi), Pedro Carsalade, apesar de ser favorável ao conceito, questiona a sua aplicação e as lacunas deixadas pela norma.

- Acho importante haver instrumentos que certifiquem que o candidato tem ficha limpa. Mas, assim como a Lei da Ficha Limpa de políticos causa controvérsias, acho que no condomínio não é diferente. Por que uma pessoa condenada em primeira instância, e não em definitivo, não pode se candidatar? Acho que é uma norma muito subjetiva. Quando a pessoa é condenada definitivamente, aí sim, temos na mão um instrumento que dá direito ao veto da candidatura. Acho fraco usar a ficha limpa para resolver a honestidade das pessoas. Até porque, a ficha é limpa até sujá-la, concorda? - indaga o presidente da Abadi.

Para Carsalade, a fiscalização do síndico e a exigência de cumprimento de seus deveres durante o mandato são mais eficazes do que a norma do Condomínio Presidente. Além disso, ele também chama a atenção para a fragilidade do regulamento interno.

- Se a regra da ficha limpa não está na convenção do condomínio, ela pode ser anulada no dia seguinte - alerta.

FONTE: O GLOBO

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Série de mortes à sombra da cúpula da Polícia Civil Mais de 15 assassinatos serão investigados novamente pela Secretaria de Segurança


Foto: Alexandre Vieira / Agência O Dia
No atentado a bomba contra Rogério Andrade, o contraventor, que estava no carona, escapou, mas o filho morreu | Foto: Alexandre Vieira / Agência O Dia


POR JOÃO ANTÔNIO BARROS

Rio - O desdobramento da Operação Guilhotina promete devassar uma série de assassinatos de grande repercussão ocorridos nos últimos anos no Rio de Janeiro. São casos em que há evidências da participação de policiais civis e militares, que tinham acesso livre à cúpula da Polícia Civil, em mais de 15 homicídios. A informação sobre o envolvimento dos agentes foi encaminhada na terça-feira pelo Ministério Público Estadual e pela Polícia Federal à Secretaria Estadual de Segurança.
Entre os crimes, está o atentado ao bicheiro Rogério Andrade, em abril, na Barra da Tijuca, que liga bicheiros e policiais na contratação de um israelense para instalar e detonar a bomba no carro do contraventor, que escapou com ferimentos. Na explosão, morreu o filho de Rogério.

O relatório — com a descrição dos crimes, a forma de agir do grupo e o pedido de nova análise nas investigações — foi feito com base nas informações passadas pelos ex-informantes que ajudaram a Polícia Federal na Operação Guilhotina.

O atentado a Rogério ganha seis páginas de detalhes. Revela que o acerto final do crime foi num encontro em Duque de Caxias, onde um israelense procurado pela polícia dos Estados Unidos fechou a contratação de um amigo que veio de Israel especialmente para executar o ataque.

O crime, de acordo com o relatório, foi encomendado por dois bicheiros do Rio e contou com o auxílio de um PM, que tinha trânsito livre ao esquema de segurança de Rogério Andrade. O material para confeccionar o explosivo teria sido fornecido pelo sargento do Exército Volber Roberto da Silva Filho, morto ano passado por agentes da Delegacia de Repressão a Armas e Explosivos (Drae).

A bomba teria sido colocada no carro do bicheiro quando ele ficou parado em um estacionamento na Zona Oeste. O ‘homem-bomba’ teria parado seu carro perto e rastejado até o veículo do contraventor. É citado no relatório que o israelense enviou mensagens via MSN para o contato no Brasil com a promessa de retornar e ‘completar o serviço’.

O documento com os crimes cometidos pelos agentes investigados na Operação Guilhotina revela ainda bastidores da pistolagem no Rio de Janeiro, que inclui até um consórcio de mais de 20 homens para atuar em empreitadas. ‘Mão-de-obra’ empregada, segundo as investigações, na morte de quatro empresários e uma funcionária ligados à venda de títulos de clubes de turismo no Rio. Uma das vítimas do grupo teria sido o ex-deputado Ary Ribeiro Brum, assassinado a tiros de fuzil, na Linha Vermelha, em 2007.

Outros casos suspeitos

CAMELÓDROMO
Alexandre Frais Pereira foi morto em Caxias, em maio de 2007, e o crime estaria relacionado a disputa pelas propinas no Camelódromo, onde a vítima presidia a associação dos ambulantes. Um grupo de policiais planejava ‘tomar conta’ dos negócios e esbarrou em Alexandre. Uma semana após o crime, um almoço realizado num restaurante no Centro do Rio celebrava a criação da nova associação e a ‘parceria’ com um grupo de policiais. O encontro foi comandado por um delegado .

BRIGA NA SEGURANÇA
O relatório aponta alguns crimes na disputa pela segurança do contraventor Rogério Andrade. Um deles seria o atentado a bomba sofrido pelo sargento Ronnie Lessa, que é atribuído ao ex-sargento do Exército Volber Roberto da Silva Filho. O militar foi morto numa ação da Polícia Civil, no ano passado, durante uma troca de tiros num motel em Jacarepaguá. O tiroteio, segundo o relato dos informantes, teria sido uma farsa para encobrir o assassinato de ex-sargento.

BICHEIRO SUSPEITO
Outra série de assassinatos teria sido cometida, segundo o documento, a mando do bicheiro José Luiz Barros Lopes, o Zé Personal, que administra um pedaço do espólio do contraventor Valdomiro Paes Garcia, o Maninho. São cinco inquéritos citados no levantamento e, entre eles, o desaparecimento de quatro rapazes, a morte de um ex-colaborador e personalidades do samba. Alguns crimes teriam ocorrido durante a briga com o irmão de Maninho, Alcebyades Garcia, que reivindicava a administração dos negócios do irmão e do pai, Valdomiro Garcia.

SUMIÇO DA CHINESA
O documento aponta que entre os crimes atribuídos ao grupo de policiais civis e militares está o desaparecimento da chinesa Ye Goue, em junho de 2008, depois que ela trocou R$ 220 mil em U$ 130 mil dólares numa casa de câmbio, na Barra da Tijuca. O crime teria ocorrido durante uma extorsão à família da vítima.

MILÍCIA NA BAIXADA
A morte de Carlos Davi, em julho do ano passado, aparece no relatório como causa de uma crise interna em uma milícia de Nova Iguaçu, Baixada Fluminense. O assassinato ocorreu um dia antes de Carlos ser ouvido no Fórum da cidade para acusar dois policiais civis e dois militares — um deles, PM emprestado à Polícia Civil e lotado na Delegacia de Repressão a Armas e Explosivos (Drae).

DISPUTA FATAL
A morte de dois policiais militares também está na lista dos crimes que devem ser investigados. Eles teriam sido mortos durante a divisão de 100 quilos de cocaína, apreendida durante uma extorsão a um traficante em Vitória, no Espírito Santo. Os suspeitos seriam dois PMs que durante anos foram lotados em delegacias do Rio.

Ex-PM acaba morto depois de assassinar delegado

Na lista de homicídios que sugere nova apuração, estão os que vitimaram o delegado Alcides Iantorno e o seu matador, o ex-PM Alexandre Lins de Medeiros. Conforme o documento, o policial teria sido morto depois de discutir com contraventor da Zona Norte. Um dos seguranças do bicheiro faria parte do consórcio e teria chamado um amigo para cometer o crime: o ex-PM, com quem trabalhara numa delegacia especializada e que era inimigo de Iantorno.

No plano, só ocorreu um problema: o ex-PM foi reconhecido e houve a necessidade, no dia seguinte, de ‘limpar a sujeira’. O agente ligou e combinou encontro com Alexandre, em Rocha Miranda, onde ele foi assassinado.
As armas encontradas na casa do ex-policial, detalham os informantes, pertenceriam à milícia da Favela da Praia de Ramos.

Outra forma de operar dos policiais investigados pela Operação Guilhotina, traçada na apuração da Polícia Federal, seria a de se valer das amizades na cúpula da Chefia da Polícia Civil para designar os ‘parceiros’ como responsáveis pela investigação dos assassinatos. Assim, alguns inquéritos teriam deixado a Delegacia de Homicídios do Centro para ser apurados por agentes da Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense, onde o efetivo de funcionários é bem menor


fonte: O DIA

Testemunha acusa Allan Turnowski de receber propina para proteger milícia e não reprimir pirataria em camelódromo

Publicada em 17/02/2011 às 01h53m
Sérgio Ramalho


RIO - Em depoimento à Polícia Federal, uma testemunha que atuou por 15 anos como informante do grupo do ex-subchefe operacional da Polícia Civil Carlos Oliveira - um dos 30 policiais presos na Operação Guilhotina - afirma que o ex-chefe da instituição, delegado Allan Turnowski, sabia de todas as ações criminosas dos agentes. X., de 41 anos, aponta Turnowski como beneficiário de um esquema sustentado por policiais ligados a milícias, contraventores e contrabandistas. No relato, ele diz ainda que o ex-chefe recebia R$ 100 mil para não reprimir a venda de produtos falsos no camelódromo da Uruguaiana, no Centro.

No fim de janeiro, os 1.508 boxes do camelódromo passaram por uma devassa da Polícia Civil e da Receita Federal. A operação fora determinada pela 6 Vara Empresarial do Tribunal de Justiça (TJ) para cumprir mandados de busca e apreensão de produtos falsificados, respondendo a solicitação do Grupo de Proteção à Marca, com sede em São Paulo. Investigações da PF apontam o envolvimento de policiais numa disputa pelo controle do mercado, acirrada com o assassinato de um dos líderes dos camelôs, Alexandre Farias Pereira, em maio de 2007. Ele teria sido morto por se recusar a pagar propina a policiais.

O relato de X. detalha também o suposto pagamento de R$ 500 mil mensais a Turnowski. A propina seria paga por um sargento PM que atuava como adido - policial militar lotado em delegacias especializadas - da Divisão Antissequestro (DAS) e domina uma milícia em Jacarepaguá, além de explorar caça-níqueis em Rio das Pedras. Segundo o informante, o PM, que mora num condomínio de luxo na Barra da Tijuca, costuma participar de reuniões com policiais, entre eles Turnowski, numa badalada churrascaria do bairro e circula em veículos blindados, com escolta.

O informante não esconde o medo, devido à fama de violentos dos integrantes da quadrilha, que estariam envolvidos numa série de assassinatos. X. cita a execução do sargento do Exército Volber Roberto da Silva Filho, em junho passado. Segundo ele, o militar fora o responsável pela elaboração das bombas usadas no atentado ao contraventor Rogério Andrade, em abril de 2010, na Barra. Na ocasião, o filho do bicheiro morreu. Volber também teria feito a bomba que explodiu na picape Hilux do PM Rony Lessa, que perdeu a perna no episódio. X diz que o crime teria sido queima de arquivo, pois Volber negociava armas com policiais da Delegacia de Combate às Drogas (Decod) e da Delegacia de Repressão a Armas e Explosivos (Drae).

As investigações indicam ainda o suposto pagamento de R$ 2 milhões feito por Andrade aos policiais envolvidos na execução. A quantia seria uma recompensa pela "cabeça" do responsável pela elaboração da bomba que matou seu filho. Volber foi morto em um motel em Jacarepaguá, supostamente após reagir ao cerco montado por policiais da Decod, entre eles o PM Ivan Jorge Evangelista de Araújo, que atuava como adido e foi preso na Operação Guilhotina, acusado de vender armas a traficantes.

A vingança pela morte do filho do contraventor também teria motivado o assassinato do sargento bombeiro Antônio Carlos Macedo, em novembro passado. Ex-chefe da segurança de Andrade, ele foi executado na Avenida Sernambetiba, supostamente por três PMs, pois estaria ligado a um complô montado por PMs para matar Rogério e dominar o território onde este explora caça-níqueis.

A testemunha contou ainda que participou de uma operação nos morros de São Carlos e da Mineira, em 2008, na qual policiais de delegacias especializadas desviaram parte do material apreendido. Dos oito fuzis encontrados nas favelas, quatro foram vendidos para o chefe da segurança da Igreja Universal, que seria um PM. X. afirmou que foram apreendidos 42 mil projéteis, mas apenas três mil foram apresentados. Drogas também teriam sido roubadas pelos policiais.

O informante passou a colaborar com a PF após ter um irmão assassinado pela quadrilha. X. e sua família estão sob proteção do Ministério da Justiça. Ele era ligado ao sargento da reserva da PM Ricardo Afonso Fernandes, o Afonsinho, apontado pela PF como segundo homem no grupo do delegado Carlos Oliveira.

Em depoimento, X. diz que o grupo de policiais também sequestrava traficantes e parentes, libertados após o pagamento de resgate. Foi o caso de Carlos Eduardo Sales, o Capilé, considerado um dos principais fornecedores de drogas da Favela de Acari. Segundo X., o traficante foi preso por policiais e adidos - entre eles o sargento Afonsinho - da Drae e da Decod, que ficaram rodando por quase 12 horas com o bandido, liberado após pagar R$ 1 milhão. Metade do valor teria ficado com Afonsinho. A testemunha diz ainda que, na ocasião, Afonsinho teria se desentendido com o PM que atuava como adido na Decod por causa da divisão do dinheiro.


fonte: O GLOBO

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

LAPA X MENINOS DE RUA ... A LAPA PEDE SOCORRO

São imagens do ultimo final de semana,a Lapa precisa urgentemente de SEGURANÇA.
Não adianta revitalizar e deixar os frequentadores sem um minimo de segurança.



Ronaldo Fenômeno anuncia o fim da carreira, devido a dores, desgaste fís...

Escolha de Martha Rocha foi "praticamente uma unanimidade", diz Beltrame

Rio - Quatro dias depois de a Polícia Federal deflagrar a Operação Guilhotina — que prendeu 40 pessoas, entre elas o ex-subchefe operacional, delegado Carlos Oliveira — e gerar uma das maiores crises da história da Polícia Civil, o comando da instituição trocou de mãos. Allan Turnowski deixou o cargo após uma conversa com o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, e foi substituído pela delegada Martha Rocha.
Foto: Alexandre Bum / Agência O Dia
Beltrame disse estar honrado em quebrar mais um paradigma na Segurança do estado | Foto: Alexandre Bum / Agência O Dia

“Seu nome (Martha Rocha) foi praticamente uma unanimidade. Estou honrado em quebrar mais um paradigma na Segurança neste estado, ao escolher uma mulher para ocupar pela primeira vez a Chefia de Polícia Civil do Rio.

Ela foi galgada a esse cargo não por ser mulher, mas porque tem um histórico de 29 anos de Polícia Civil, praticamente vividos em todas as áreas que a instituição atua. É uma pessoa que está plenamente afinada com os nossos propósitos”, disse Beltrame, que fez questão de classificar Turnowski como grande policial e grande chefe de Polícia. “Ele deixou sua marca”.

Quase dois anos depois de assumir o cargo, Allan saiu após entrar em rota de colisão com o diretor da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco-IE), Cláudio Ferraz. O então chefe mandou lacrar a especializada para fazer uma varredura nos inquéritos. Na inspeção, foram encontrados dois procedimentos idênticos que teriam sido assinados por Ferraz. A denúncia é de que policiais da Draco participariam de esquema de propina envolvendo prefeituras e empresários.

A atitude de Allan foi encarada como retaliação, já que Ferraz foi um dos principais colaboradores da PF na investigação que culminou com a Operação Guilhotina.

Ao comentar o momento de crise em que assume o cargo, Martha afirmou não estar preocupada com quem foi preso, mas com os bons policiais. Ela ressaltou que vai continuar a limpa na polícia e, para isso, quer fortalecer a Corregedoria Interna.

“Prefiro ver o desafio por aquele policial que, quando a instituição é atingida, se sente atingido também. O bom policial deseja corregedoria forte”, enfatizou ela, acrescentando que vai investir mais na formação dos policiais. “Policial eficiente é o bem treinado”, avaliou ela. Sobre a varredura na Draco, disse que vai aguardar o fim das investigações.

“Nunca me vi como chefe de Polícia”, confessou.

Defesa da mulher e ‘caça’ a bicheiros

Até ser convidada para a Chefia de Polícia, Martha Rocha comandava a Divisão de Polícias de Atendimento à Mulher (DPAM). Ela entrou para a instituição como escrivã na década de 80 e, em 1990, fez concurso e se tornou delegada.

Em 92, participou da implantação da Delegacia de Apoio ao Turismo (Deat) e, no ano seguinte, chegou ao comando do Departamento Geral de Polícia Especializada (DGPE).

Em 1999, foi subchefe de Polícia Civil. Em 2000, como titular da 15ª DP (Gávea), Martha foi responsável pelo inquérito que apurou o caso do ônibus 174, que resultou na morte de uma refém e do sequestrador. Na conclusão da investigação, a delegada indiciou o então comandante do Bope, José Penteado, por homicídio culposo.

Martha também ocupuou a Corregedoria da Polícia Civil. Dentro da instituição, a delegada é conhecida como uma ‘caçadora’ de contraventores. A fama começou depois de um episódio em 1994. Na época, seu chefe de gabinete, o delegado Inaldo Santana, foi preso ao tentar intermediar pagamento de propina de bicheiros ao então corregedor.

Reportagem de Isabel Boechat, Leslie Leitão e Maria Inez Magalhães

fonte: O DIA

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Marta Rocha será a nova chefe da Polícia Civil do Rio

Plantão | Publicada em 15/02/2011 às 19h30m
O Globo

RIO - Após cerca de cinco horas de reunião, a secretaria de Segurança Pública anunciou o nome do novo chefe da Polícia Civil do Rio. A delegada Marta Rocha, que já foi candidata a deputada estadual, foi escolhida pela cúpula da secretaria para substituir o delegado Allan Turnowski, que deixou o cargo quatro dias após o início da Operação Guilhotina, da Polícia Federal, que já prendeu mais de 35 policiais acusados de corrupção.


fonte:O GLOBO

Turnowski compra briga com Beltrame

Infelizmente não há mais lugar na mesma polícia para Allan Turnowski e José Mariano Beltrame. Um dos dois terá que pedir pra sair. Na verdade esses dois agentes da lei nunca pertenceram a mesma corporação. Como se sabe, Allan é delegado da Polícia Civil e Beltrame, delegado federal. Eles foram se encontrar na Secretaria de Segurança Pública por obra de uma indicação de pessoas muito próximas do governador Sérgio Cabral. Turnowski não foi escolhido por Beltrame. Desde que teve início a fritura por Beltrame, em setembro do ano passado, Turnowski se ocupou de fortalecer os vínculos com o governador.

Os problemas entre Beltrame e Turnowski começaram em meados do ano passado, quando o secretário descobriu que levava bola nas costas por parte de policiais ligados ao chefe da Polícia Civil. Sem titubear, Turnowski exonerou seu então braço direito, delegado Carlos Oliveira, que retornou à Secretaria municipal da Ordem Pública. A justificativa para a exoneração foi que Oliveira não havia atingido as metas exigidas pela Secretaria de Segurança. Turnowski tentou mostrar alguma lealdade a Beltrame.

Como a Operação Guilhotina, da Polícia Federal, não obteve provas contundentes contra Turnowski ele foi mantido no cargo, a despeito do constrangimento de ter sido chamado para prestar esclarecimentos sobre o que faziam de errado os policiais que eram administrativamente ligados a ele. Em qualquer país sério Turnowski cairia porque não se pode admitir que uma autoridade na polícia desconheça ilegalidades praticadas por seus subordinados. Por um dois até se entende. Mas por quatro quadrilhas que vendiam proteção para traficantes, milicianos e contraventores, é muita gente pra guardar segredo de alguma coisa. Qualquer pessoa com QI médio é capaz de perceber ou ao menos suspeitar de algo de errado que acontece ao seu redor.

A inteligência de Turnowski é com certeza acima da média. Ao notar que aumentava o calor da fritura (Beltrame disse no sábado que ninguém, nem o chefe da Polícia, tem carta branca para agir), Turnowski partiu para o ataque. Seu alvo foi justamente o delegado Claudio Ferraz, que colaborou com a Operação Guilhotina, e contava com total apoio de Beltrame. Tanto assim que o secretário tratou de convidá-lo para o novo cargo de subsecretário da Contra Inteligência - ligado à Subsecretaria de Inteligência - e levar a Draco (Delegacia de Repressão às Atividades Criminosas Organizadas) para o guarda-chuva da Secretaria de Segurança. Com a medida, Beltrame pretendia dar carta branca a Ferraz para combater a banda podre na Polícia Civil. Coragem não falta a Ferraz, que foi o principal responsável por mais de 500 prisões de milicianos, policiais e ex-policiais civis e militares, que não eram incomodados desde o governo que antecedeu o de Cabral.

Convicto de que estava prestes a cair, Turnowski atacou com uma denúncia anônima para manchar seus oponentes, que alega ter recebido em casa na noite de domingo. A verdade é que essas supostas denúncias de extorsão já estavam rolando nos bastidores, mas havia fortes suspeitas de que os documentos seriam apócrifos. Não existe santo na polícia, mas o delegado Claudio Ferraz não daria tanto mole depois de botar em cana mais de cinco centenas de milicianos sedentos de vingança. Com a habilidade de um enxadrista, Turnowski deu um xeque ao usar inclusive o mesmo discurso de Beltrame: o combate à corrupção na polícia. Com certeza um golpe de mestre. Se deixasse o cargo, Turnowski cairia arrastando a imagem de outros com ele, especialmente de um que conta com o apoio de Beltrame.

O único lance mal dado por Turnowski foi quando afirmou, numa entrevista na TV, que se Ferraz fosse seu subordinado não pensaria duas vezes antes de exonerá-lo, apesar de o inquérito na Corregedoria ter sido aberto ontem e com base numa denúncia anônima - algo que os policiais detestam admitir usar, para investigar seus pares. A afirmação de Turnowski, de que exoneraria o colega, a meu ver insinua que o secretário de Segurança estaria prevaricando se não o fizesse. Com a firmeza com que apresentou as supostas denúncias envolvendo Ferraz, Turnowski tentou dar um golpe na opinião pública. Com tanto escândalo vindo à tona, muita gente não consegue mais distinguir mocinhos de bandidos. Com tanto criminoso para ser preso, é triste ver os policiais não se entenderem na cúpula. Depois da vitória celebrada na conquista do Alemão, é lamentável o nível de disputa pelo poder dentro da própria polícia.

O que Turnowski pode ter esquecido é que Beltrame, com a credibilidade conquistada pela redução dos índices de criminalidade e o relativo sucesso do projeto de pacificação de favelas, se tornou o grande avalista da política de segurança do governo Cabral, uma das pontes que o levou à reeleição. Beltrame goza de grande prestígio nas mais diversas camadas sociais do Rio e do país e essa popularidade lhe daria vantagem até mesmo numa eventual corrida política. Entre Turnowski e Beltrame, o governador Sérgio Cabral não tem dúvida de quem pode abrir espaço para suas ambições políticas. A dificuldade de Cabral será obter uma saída honrosa para Turnowski, sem deixar insatisfeitos os grupos que apoiam o chefe da Polícia e órfãos os policiais civis que têm nele um dos maiores líderes que já passaram pelo cargo.

fonte: BLOG Repórter de Crime

Chefe da Polícia Civil, Allan Turnowski deixa o cargo após conversa com Beltrame

Publicada em 15/02/2011 às 13h01m
O Globo
RIO - O chefe de Polícia Civil, delegado Allan Turnowski, deixou o cargo após uma longa conversa na manhã desta terça-feira com o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame. Segundo nota da Secretaria de Segurança, a decisão foi tomada após os dois concluírem que esta seria a decisão mais adequada para preservar o bom funcionamento das instituições.

Também em nota, o secretário agradeceu publicamente a dedicação e a fidelidade do delegado Turnowski durante sua gestão.

No dia em que a Operação Guilhotina foi deflagrada, na última sexta-feira, Turnowski foi chamado a depor na Polícia Federal sobre o envolvimento de seu ex-subchefe operacional, Carlos Antônio Luiz Oliveira, com uma quadrilha ligada ao desvio e venda de armas a traficantes. Perguntado pelo delegado federal Paulo César Barcelos sobre o "suposto recebimento da quantia de R$ 200 mil" pela Chefia de Polícia Civil - propina que seria recebida por cada delegacia -, Turnowski alegou que, sendo 180 delegacias no estado, o total chegaria a um valor estratosférico, o que, por si só, desqualificaria a denúncia. Ele disse ainda que, se houvesse alguma prova de sua participação no esquema, ele teria sido preso, mas sequer foi indiciado. No entanto, depois da Operação Guilhotina, sua substituição na chefia de polícia passou a ser considerada.

Dois dias depois de prestar seu depoimento, Turnowski determinou uma devassa na Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), onde, sob o comando do delegado Claudio Ferraz, começou parte da investigação que resultou na Operação Guilhotina. A delegacia teve as portas lacradas. A iniciativa de investigar a Draco, segundo o chefe da Polícia Civil, foi tomada a partir de denúncias sobre o suposto envolvimento da equipe do delegado Claudio Ferraz em extorsões contra empresários e prefeituras.

Turnowski ingressou na Polícia Civil em 1996, depois de passar no concurso para delegado de polícia. Desde então, ele atuou na 16ª DP (Barra da Tijuca), na Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), na Delegacia de Roubos e Furtos de Veículos (DRFA), sendo promovido a diretor do Departamento de Polícia Especializada (DPE), onde ficou por seis anos. Neste último cargo, ele foi nomeado pelo ex-chefe de Polícia Civil, Álvaro Lins - que chegou a ser preso por formação de quadrilha e ainda responde a processo por lavagem de dinheiro - e mantido pelo sucessor dele, Gilberto Ribeiro. Ele assumiu o cargo de chefe de Polícia em março do ano passado.

Em um ano e dez meses de trabalho sob o comando de Allan, a Polícia Civil ganhou uma delegacia exclusiva para investigação de homicídios; aprimorou o atendimento nas delegacias distritais através do Dedic. Também foram feitas prisões importantes contra a milícia e houve a redução nas taxas de roubo de veículos.


fonte: O GLOBO