segunda-feira, 18 de abril de 2011

Crianças pequenas e até de colo usam oxi e crack oferecidos por pais e traficantes - O Globo

Crianças pequenas e até de colo usam oxi e crack oferecidos por pais e traficantes - O Globo:

Publicada em 17/04/2011 às 23h39m
O Globo



RIO BRANCO, RIO E TERESINA - Aos dois anos, o bebê X., que vivia com os pais em Rio Branco, no Acre, era inquieto e chorava sem parar. Uma denúncia levou o Conselho Tutelar da capital acreana até a casa da família e a constatação foi: a mamadeira de X. não tinha só leite. Os pais misturavam cocaína na hora de alimentá-lo. Essa foi a história que mais chocou a conselheira Linagina Silva, responsável pela unidade em Rio Branco, como mostra reportagem de Carolina Benevides, Efrém Ribeiro e Marcelo Remígio, publicada nesta segunda-feira pelo GLOBO.

- Em toda Região Norte é comum que as crianças se droguem. Por aqui, elas usam cocaína, oxi e merla. As pequenas, de 5, 6, 8 anos, começam em casa. Recebo há um ano e meio cinco meninos que usam cocaína e oxi. Eles têm entre 6 e 11 anos, a polícia traz, eles quebram tudo, ficam agitadíssimos. Um outro de 10 anos é pequeno, raquítico até, mas drogado tem uma força enorme - conta Linagina. - Em Rio Branco, geralmente, os adultos partem para o oxi depois de terem experimentado outras drogas. As crianças não. Elas já começam com a pedra e muitas nem vão atingir a maioridade.

Assista ao drama do vício na infância

Nas ruas de Rio Branco não é difícil encontrar crianças de 8, 10, 11 anos viciadas em oxi. Elas perambulam pela cidade, reúnem-se perto da antiga rodoviária ou no Preventório, no Centro, para fumar a pedra. Quando não têm dinheiro, praticam pequenos delitos.

- O vício está diretamente ligado à violência. Para usar, as que têm casa começam a roubar da família. As que já estão nas ruas, quebram vidro de carro para furtar o que está dentro, roubam celulares e pequenos objetos. Elas compram oxi por R$ 5 e R$ 7 - diz Linagina. - É muito difícil conseguir internar crianças antes dos 12 anos e algumas até passam a traficar para manter o vício.

Em Teresina, no Piauí, crianças consomem drogas com mel. No bairro São João, perto das escolas públicas, traficantes vendem uma mistura de crack com mel, semelhante a balas de goma.

- Inicialmente, o traficante não vende. Eles dão balas para que as crianças fiquem na mão deles. Elas não têm dinheiro, mas a estratégia é que fiquem viciadas para que tirem dos pais, roubem objetos, bens e dinheiro de suas casas. Pessoas ficam sem usar crack três dias, no máximo - conta Miranda Neto, fundador e coordenador do Grupo de Amigos da Vida (GAV), entidade que mantém uma comunidade terapêutica para tratamento de dependentes na zona rural do município de Piracuruca.

Também em São Luís, no Maranhão, crianças são alvo fácil de traficantes. Depois que ficam dependentes de crack e oxi, são recrutadas para trabalhar como 'aviões'. Parte do 'salário' sustenta o consumo da droga e o restante, em geral, vai para a família.

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